quinta-feira, 7 de julho de 2011

filme sobre a vida de São Sebastião

A mais polémica representação cinematográfica de São Sebastião, quiçá a única, deve-se a Derek Jarman (1942-1994), cineasta EN, cuja cinematografia, constituída por 11 filmes, tem em Sebastiane (1976) seu primeiro longa-metragem.

Dirigido por Derek Jarman e Paul Humfress, escrito por Derek Jarman e James Whaley, com música de Brian Eno e Andrew Thomas Wilson, tendo no internacional elenco Leonardo Treviglio (como São Sebastião), Barney James (no papel de Severo), Neil Kennedy (Máximo), Richard Warwick (Justino), Robert Medley (Diocleciano), o filme causa estranhamento, primeiramente porque seus diálogos são todos em latim, língua considerada morta. Note-se que, em 2004, Mel Gibson usou, em seu polémico "The Passion of Christ" (A Paixão de Cristo), também o latim, ao lado do hebraico e do aramaico.

São Sebastião, antigo capitão da guarda pretoriana de Diocleciano, passou à iconografia como um mártir em que na nudez escultural se exalta o sacrifício da juventude e da beleza, mas que em certas representações uma atitude equívoca do corpo crivado de setas sugere o que hoje chamamos de masoquismo. Derek Jarman, com o seu primeiro filme, "Sebastiane", abstraiu-se quase completamente do contexto histórico e da motivação religiosa do personagem para se entregar, com alguma complacência, à hagiografia "desviada" do santo, tal como uma a elaborou parte da cultura moderna. A morte de Sebastião surge aqui como o resultado do desejo trágico, cuja impossibilidade parece, apesar de tudo, abstracta, dada a insuficiente caracterização psicológica. E podíamos ver neste final uma variação do tema de Salomé. Como São João Batista, Sebastião é condenado à morte por despertar um desejo impossível, que o facto de ser partilhado torna mais impossível ainda na dialéctica do sacrifício.

Para baixar o filme, CLIQUE AQUI.

Movimento LGBT propõe "Lei Alexandre Ivo"

Inspirada no assassinato de garoto de 14 anos,
nova legislação torna crime a homofobia

"Preservando a memória de Alexandre Ivo que foi morto barbaramente
por motivo de  homofobia e transformando uma tragédia em marco para a Vida."

Essa foi uma semana agitada para o PLC 122, o projeto de lei aprovado na Câmara que criminaliza a homofobia (e que agora tramita no Senado). Houve boatos sobre um suposto arquivamento, sobre uma mudança de numeração e sobre a apresentação de um novo texto.

Essa última versão, aliás, é a que mais se aproxima da realidade. "Chegamos à conclusão que, devido à demonização do PLC 122 pela bancada evangélica, deveríamos apresentar um novo projeto de lei, mantendo as principais diretrizes no combate à homofobia," explicou a senadora Marta Suplicy (PT-SP), relatora do projeto.

Em meio a esses rumores, começou a tomar corpo na internet um movimento de apoio a que essa lei seja denominada "Lei Alexandre Ivo", em homenagem ao adolescente assassinado há exatamente um ano, no Rio de Janeiro.

"Seria como a Lei Maria da Penha," explica Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT, de Campinas (SP), um dos primeiros a propôr a mudança. "Ninguém sabe o número, mas todo mundo a conhece e sabe pra que serve. É impossível deixar de pensar na mulher e na violência que ela sofreu só de ouvir o nome da lei. Esse efeito pode nos ajudar a derrubar as objeções ao projeto".

A ideia reapidamente conquistou apoio irrestrito de todos os setores do Movimento LGBT, em espaços de discussão e nas redes sociais. "Acho super conveniente e tem todo o meu apoio," afirmou Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Para o prof. Luiz Mott, decano do Movimento LGBT, "a ideia, além de ótima, é muito comovente". Carlos Tufvesson, da Coordenadoria Especial de Assuntos da Diversidade Sexual (Ceads) do Rio de Janeiro também deu total apoio à proposta.

O próximo passo será propor ao Senado a adoção oficial da nova nomenclatura.

Sobre Alexandre

Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 anos, foi sequestrado, torturado e morto, no Município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2010, ao voltar para casa após assistir a um jogo do Brasil na casa de um amigo. Segundo a polícia, o crime teria sido praticado por skinheads e motivado por intolerância à sua orientação sexual.

Alexandre foi torturado com crueldade. No laudo cadavérico consta que ele foi morto por asfixia mecânica, enforcado com sua própria camisa e apresentava graves lesões no crânio provavelmente causadas por agressões com pedras, pedaços de madeira e ferro. Seu corpo foi deixado num terreno baldio.

O assassinato de Alexandre indignou todo o movimento, cujo sentimento foi sintetizado na carta Estão matando nossos jovens gays!. "A ausência de lei que criminalize o crime de ódio contra homossexuais é um incentivo para que bárbaros pratiquem crimes brutais como este," escreveu Lohren Beauty, presidente do Grupo E-jovem. "Que este crime pese na consciência dos senadores da República que se omitem e são contrários ao projeto de lei 122!".

Três suspeitos foram identificados por meio de ligações do Disque Denúncia e estão sendo processados, em liberdade.

Veja a íntegra do novo texto da lei:

LEI ALEXANDRE IVO
EMENDA - CDH (SUBSTITUTIVO)

Projeto de Lei da Câmara 122, de 2006
Criminaliza condutas discriminatórias motivadas por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero e altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal para punir, com maior rigor, atos de violência praticados com a mesma  motivação.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º Esta Lei define crimes que correspondem a condutas discriminatórias motivadas por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero bem como pune, com maior rigor, atos de violência praticados com a mesma motivação.

Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo é utilizado para distinguir homens e mulheres, o termo orientação sexual refere-se à heterossexualidade, à homossexualidade e à bissexualidade, e o termo identidade de gênero a transexualidade e travestilidade.

Discriminação no mercado de trabalho
Art. 3º Deixar de contratar alguém ou dificultar a sua contratação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

Pena – reclusão, de um a três anos.

§ 1º A pena é aumentada de um terço se a discriminação se dá no acesso aos cargos, funções e contratos da Administração Pública.

§ 2º Nas mesmas penas incorre quem, durante o contrato de trabalho ou relação funcional, discrimina alguém motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Discriminação nas relações de consumo
Art. 4º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

Pena – reclusão, de um a três anos.

Indução à violência
Art. 5º Induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

Pena – reclusão, de um a três anos, além da pena aplicada à violência.

Art. 6º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 61.......

II...............

m) motivado por discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

Art. 121..

§ 2º...........

VI - em decorrência de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

Art. 129...

§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade ou em motivada por discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

Art. 140.

“§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

....” (NR)

“Art. 288....

Parágrafo único – A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é armado ou se a associação destina-se a cometer crimes por motivo de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Art. 7º Suprima-se o nomem iuris violência doméstica que antecede o § 9º, do art. 129, do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Projeto #EuSouGay lança vídeo da campanha

A banda Belle & Sebastian diz em uma de suas músicas "Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça”. Foi motivada por esta frase que a jornalista Carol Almeida, 32 anos, decidiu não mais adormecer perante os atos ocorridos contra os homossexuais. Daí surgiu o projeto #EUSOUGAY que tem como ponto de partida os crimes não só de homofobia mas de ódio contra os gays, que ultimamente temos acompanhado nos veículos de comunicação.

Após o assassinato de Adriele Camacho, 16 anos, em abril desse ano, e as declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) no programa CQC, Carol decidiu fazer algo e criou o blog #EUSOUGAY que em menos de duas horas já estava nos Trending Topics do Twitter. Ela explica que o projeto "não é apenas contra a homofobia. É um trabalho contra a intolerância, contra o ódio. Não podemos, não devemos e não vamos viver nesse ambiente".
A ideia era que cada pessoa enviasse ao blog da Carol uma foto com a hashtag #EUSOUGAY, independente de orientação sexual, e ao término de tudo as fotos seriam lançadas em um vídeo. O SOMOS participou dessa campanha e mobilizou no dia 17 de maio de 2011, Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, pessoas na Esquina Democrática, em Porto Alegre, para uma manifestação em prol do projeto.
Pois bem, muitas fotos depois, cerca de 2500 segundo o blog da Carol, o vídeo com as fotos está pronto. Ele foi lançado no dia 06 desse mês e nós aqui do SOMOS estamos orgulhosos de termos feito parte deste momento.

Segundo ela, a frase #EUSOUGAY "se trata de uma afirmação, de uma postura positiva, solar e feliz. Postura que pessoas de todo o Brasil (e até fora dele) assumiram ao entender que ser gay hoje vai muito além do nome que emoldura uma orientação sexual". E sobre as milhares de fotos que recebeu completa: "Pessoas que, pelo amor e respeito ao próximo, levantaram essa mensagem e mostraram seus rostos".

Assista ao vídeo:



terça-feira, 5 de julho de 2011

Toni Reis, um Homem de Respeito!

Ele faz o tipo correto. Boa-praça, agradaria se rezasse missas ou se desse aulas. Digníssimo, preferiu ser o “Toni do Dignidade”. E é a voz mais contundente do Brasil na defesa das minorias sexuais, que estreia a nova série jornal Gazeta do Povo de Curitiba/PR.
Em maio deste ano, o paranaense Toni Reis, 47 anos, foi um dos primeiros a registrar a união homoafetiva no país, após decisão unânime do Supremo Tribu­­nal Federal. Não poderia ser diferente. Toni vem de uma longa trajetória de luta pelos direitos dos homossexuais. Desde 2006, é presidente da Associação Bra­­sileira de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais (ABGLT), posto que o levou ao centro do poder, em Brasília, e a conseguir o apoio do ex-presidente Lula – a quem chama de “amigo”.

Nascido em Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná, o ativista passou a infância e a adolescência no interior, ora em Pato Branco, ora em Quedas do Iguaçu. Foi nesse ambiente de gaúchos, como diz, que percebeu sua diferença. E não só na sexualidade: aos 14 anos, ao se ver excluído pelos colegas na hora do futebol, decidiu comprar uma bola e fazer o seu próprio jogo. Naquela época, um médico lhe avisou: para não ser discriminado, teria de sair da cidade e estudar.

Em Curitiba, Toni Reis se formou em Letras pela Universidade Federal do Paraná. Depois se mu­­­dou para a Europa, onde viveu seis anos e conheceu seu companheiro, David Harrad. De volta à capital, fundou o Grupo Dignidade. Era 1992 – o ano em que Toni Reis “tirou o Paraná do armário.”

Como você paga suas contas?

Casei com homem rico (risos). Estou brincando. Eu e o David temos uma empresa de tradução e também faço consultoria e palestras na área da sexualidade.

Quando descobriu que era gay?

Tinha 14 anos e não era escolhido para jogar futebol. Cheguei para minha mãe e falei: “Sou estranho, doente, pecador e sem-vergonha. Eu sou gay.” Ela respondeu: “Você realmente é sem-vergonha, pecador e doente”. Me levou a um médico de Pato Branco para me curar. E estou aqui bem gay, um líder gay. Foi uma situação complicada: sou do Sudoeste do Paraná, uma região de gaúchos, de família conhecida. O doutor Antônio Freire me falou: “Essa é apenas uma variante da sua sexualidade e você vai ter que ir para uma cidade grande, estudar para ser respeitado. Se for pobre e ficar no interior será muito discriminado.”

Você queria ser padre...

Queria. Mas contei para o meu diretor espiritual que eu era gay. Ele disse que eu não poderia ser padre. Um outro padre, o Sigis­­mundo, falou que o que eu sentia era doença e pediu para eu fazer novena para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando contava para ele que eu tinha desejos pelo Tony Ramos ele me mandava voltar para o primeiro dia da novena. A novena virou uma quarentena.

Foi sua única tentativa?

Não. Me falaram de um pastor que curava de tudo. Fui lá e o pastor falou: “Aqui tem um cara com catarata, um com epilepsia e um guri com um problema sério que eu não vou falar qual é. Mas vamos orar por ele.” Fui a um terreiro e o pai de santo falou que eu tinha pomba-gira com duas cabeças desgovernadas. Pensei no suicídio três vezes. Hoje, se aparecer a cura, não quero me curar.

Você foi discriminado?

Me formei em Letras pela Uni­­­versidade Federal do Paraná, participei muito do movimento es­­­tudantil e fui presidente da Casa do Estudante Universitário, a CEU. Fui candidato a presidente da casa e todo mundo sabia que eu era gay. Nos debates, di­­­­ziam: “Não podemos ter um homossexual presidente”. Foi muito triste.

Hoje, Toni Reis é recebido nos mais diversos segmentos da sociedade. Como você consegue?

Tenho que trabalhar, produzir, escrever e me articular. É preciso ter uma causa e entendê-la. Agora, a minha causa é aliar a ALGBT com outros movimentos. Daqui a dois anos eu me aposento da liderança nacional, mas vou trabalhar com educação. A educação é a solução para muitos problemas no Brasil.

Como é a relação com sua família?

Aos 14 anos, minha mãe me levou a um médico para me curar. E quando eu tinha 27, ela se propôs a casar com o meu marido [para ele conseguir o visto de permanência no Brasil]. Se minha mãe mudou, eu creio que a sociedade também pode mudar. Meus familiares me reconhecem. Fiz um curso superior, especialização, mestrado e estou concluindo meu doutorado. Alguns aceitam e outros respeitam. E uma das nossas grandes reivindicações é que as pessoas nos respeitem. Aceitar é muito difícil.

Qual a sensação depois de ter oficializado sua união civil?

É bacana. Meu amor pelo David continua o mesmo. E agora temos a documentação. Tem a questão do nosso patrimônio. Queremos filhos e estamos no processo de adoção. Em breve vamos ter mais uma resposta. Se perdermos, vamos recorrer.

O que emperra o debate LGBT no Brasil?

A questão religiosa e a heteronormatividade. Nós somos criados para ser heterossexuais. Sabemos que 10% da população é homossexual. Se hoje temos cerca de 1,8 milhão de habitantes em Curitiba, 180 mil são LGBTs. Nos­­­sa criação, educação, as propagandas na televisão, as novelas, tudo é feito para os heterossexuais. Inclusive, nós gays, lésbicas, travestis, muitas vezes pensamos de uma maneira heteronormativa, querendo copiar o mundo hétero. A outra questão é a religião. Na Idade Média, éramos queimados na fogueira pela Santa Inquisição, depois fomos tratados como criminosos e até o dia 17 de maio de 1990 a homossexualidade era considerada uma doença. Ainda tem muito esse rescaldo cultural de tratar a gente como pecador, como sem-vergonha, fora da norma e doente.

Qual sua opinião sobre o kit anti-homofobia, que foi barrado pela presidente Dilma?

Nós queríamos fazer um trabalho com os professores, com um material dirigido a eles. E a Dilma recebeu, pelo deputado federal Garotinho (PR-RJ), uma série de materiais de prevenção à aids relacionado à prostituição e drogas e colocou o kit do “Escola sem homofobia” junto. A Dilma viu aquilo e disse “vamos suspender”. Agora, nós estamos em diálogo com a presidência. Vamos ampliar o trabalho.

Qual a sua avaliação do governo da presidente Dilma em relação às ações LGBT?

No governo Lula tivemos um salto grande, pois ficamos na pressão e cobrando dos ministérios. Hoje, nós temos um plano nacional LGBT e a participação de 18 ministérios. A presidente Dilma está seguindo isso. Teve o revés do kit, mas por pressão. Havia um contexto político. E foi a presidente Dilma que falou que o Garotinho chantageou: “Temos 80 votos. Se não fizerem isso [barrar o kit], vamos fazer aquilo [assinar a criação da CPI do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci]”. Aí, ela suspendeu e agora vamos ampliar o kit. Do limão, a limonada.

Como você vê a influência da religião em questões políticas no Brasil?

Sinceramente, acho que as pessoas devem ter seus valores, mas religião não dá para misturar com política. É inconstitucional ter uma frente parlamentar evangélica. Isso não ajuda a democracia. É claro que quando um evangélico é eleito, ele vai levar seus valores e pode votar com a sua consciência. Mas nós não podemos tornar o Brasil uma teocracia. Temos judeus, católicos, o pessoal de matriz africana e pessoas ateias, que devem ser respeitadas.

Quanto a seus adversários políticos...

Eu converso com todo mundo. Talvez, a pessoa mais chata do Brasil seja o Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mas é uma pessoa que não tem credibilidade nacional. Dentro do Congresso, ele já mandou o Fernando Henrique Cardoso para o paredão para ser fuzilado.

Na última semana, a deputada estadual e atriz Myrian Rios comparou homossexuais a pedófilos. O que diz?

O novelista Walcyr Carrasco foi muito feliz ao falar que ela é burra, embora não seja essa a minha opinião. Ela é uma mulher mal-informada. Não quero ser moralista, mas se olhar para o passado dela não a contrataria para ser a babá dos meus filhos. Espero que um dia ela venha para a luz.

Entrevista concedida aos jornalistas Aldrin Cordeiro e Marcelo Furtado
Fotos: Alexandre Mazzo, jornal Gazeta do Povo


jornalista Adriano Rosa, do CULTURA POP GLS, com Toni Reis e seu marido, David Harrad, na 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia, realizada em Brasília no ano passado

Detentos homossexuais vão ter direito a visita íntima em presídios

Os detentos homossexuais vão ter direito à visita íntima nos presídios de todo o Brasil. A resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, do Ministério da Justiça, foi publicada na segunda-feira, 4 de julho, no Diário Oficial da União.
Segundo a resolução, “o direito de visita íntima é, também, assegurado às pessoas presas casadas, em união estável ou em relação homoafetiva”.
A medida vale a partir de hoje e revoga a Resolução nº 01/99 de 30 de março de 1999, publicada no Diário Oficial da União de 5 de abril de 1999, que omitia, na recomendação sobre a visita íntima feita aos departamentos penitenciários estaduais, o relacionamento gay.
A visita íntima deve ser assegurada pela direção do estabelecimento prisional pelo menos uma vez por mês.

sábado, 2 de julho de 2011

Insensato Colocon - capítulo 14


novela de NOXYEMA JACKSON

CAPÍTULO 14

 Tentando disfarçar o nervosismo, Grazy joga seu charme para cima de Gonzaga.
 - Ah, amore... Sem stress, ok! Eu saí na cola daquele pivete, o Tyler, pra ver se ele estava trabalhando direitinho... Sei não, hem! Acho que você tinha que ficar de olho naquele moleque... Depois eu fui resolver uns assuntos de mulher, saca... Só que me enrolei...
 - Assuntos de mulher? Sei... Conta outra, Grazy! E quanto ao Tyler, tem pessoal meu na cola do garoto e até o presente momento, ninguém me relatou nada de errado com ele.
 - Xiii... Eu, se fosse você, não se fiava nestes teus informantes... Vai duvidar da palavra de sua gatona aqui? Me poupe, tá! Ou você confia em mim ou me despacha logo.
 - Ah... Tá bom! Mas você sabe que eu sou louco por você. Você sumiu, não deu notícias, fiquei preocupado, só isso! Eu vou checar sua informação, beleza? E também vou marcar uma reunião com o pessoal pro final de semana para acertas alguns detalhes...
 - Isso, amore... Vai ser ótimo pra você reunir os amigos... Agora vamos tomar café. Estou morta de fome. – e ela o puxa para a cozinha, sentindo que ele já estava mais calmo.

 O dia passa. Verusca deixara um currículo na empresa de Fabinho San Mon Netty. Estavam precisando de gente na linha de produção. Chegou em casa morta de cansada. Adrianny lhe manda uma mensagem pelo celular, dizendo que vira Eloy na companhia de Tyler. A notícia não agradou Verusca. Imediatamente ela liga para Tyler, mas o celular do bofe estava fora de área ou desligado. Resolve, então, ligar para Adrianny para saber detalhes.
 - Pois é, amiga... Eu vi os dois à tarde em atitude bastante suspeita lá na praça...
 - Aff... Será que o Tyler já está levando o Eloy para o mau caminho?
 - Não sei, Verusca... Mas seria bom você ter uma conversa com os dois, quando puder!
 - Terei sim, Adrianny! Nossa! Só quem já passou pelo vício sabe o que é isso. Não quero o Eloy metido nessas “fitas”. A gente tá separado, mas vou falar com ele, sim! Se o Tyler quiser viver de “colocon”, que faça isso com a tropinha dele e deixe o Eloy fora disso!
 - Qualquer coisa, conte comigo, amiga! Eu também tenho que ficar de olho no Carlos!
 - É... Essa juventude de hoje está toda sem juízo, sem querer nada com a dureza, levando tudo na base da brincadeira e querendo o caminho mais fácil para obter as coisas.
 - Lamentavelmente é isso mesmo, amiga! E parece que clínica e cadeia não resolvem, porque eles saem e voltam a praticar os mesmos erros, às vezes, até piores. Não aprendem... Parece que tomam gosto pelo crime... Mais tarde eu vou aí pra gente tricotar, ok!
 E elas continuam papeando. No fundo, Adrianny queria saber notícias de Eduardo...

 No Jardim Europa, Kelly relata à Pérola a aula que tivera com seus alunos. A professora não fora chamada à diretoria pela iniciativa. Decidiu que levaria mais temas polêmicos para discussão, entre eles, a decisão do Supremo Tribunal Federal que liberou a “Marcha da Maconha”. Pérola concorda com a companheira e, naquele final de dia, não conversaram sobre relacionamento. Optaram por ver um filme juntas, “Dzi Croquetes”, agarradinhas, regadas a uma bacia enorme de pipoca.

 Em Ribeirão, Eduardo chega ao apartamento de Marisa e Priscila. As amigas estavam ansiosas pela visita do rapaz. Também queriam definir aquele triangulo amoroso. Curto e grosso, com o semblante fechado, o rapaz vai direto ao assunto, deixando ambas perplexas.
 - Vocês sabem que tudo começou naquela rave, a Index Pool Party. A gente tava muito louco. Aí topamos fazer este love. Ora eu ficava com uma, ora com outra, mas agora chega! Tô noutra... Eu conheci um travesti em Paraíso e estou perdidamente apaixonado por ela...

Continua na próxima postagem.
Esta é uma história de ficção.
Qualquer semelhança com nomes, pessoas ou fatos, terá sido mera coincidência.

Edição 924

Abaixo a imagem da edição n.º 924 do CULTURA POP GLS, publicada no Jornal do Sudoeste - São Sebastião do Paraíso/MG, do dia 3 de julho de 2011.